2005/08/22

Dois Modelos: Boulder ou Vail?

Boulder, Colorado, 1949: na primeira conferência nacional àcerca da formação e treino de psicólogos clínicos, atribuiu-se igual peso ao desenvolvimento de competências de investigação versus competências clinicas. Entendia-se que a disciplina carecia de muito desenvolvimento teórico e conceptual, e que os psicólogos não deveriam abandonar a investigação. Nascia o psicólogo cientista-praticante.
O grau a atribuir , embora clinicamente orientado, é académico: um PhD (Doctor of Philosophy). Entende-se que os psicólogos clinicos devem saber fazer e ler investigação, e que nada prepara melhor para isso que um programa de Doutoramento. A sua formação deveria assim decorrer em departamentos Universitários.

Vail, Colorado, 1973: quase 25 anos decorridos, conferência da dissidência. Os conferencistas defendem que um corpo extenso de conhecimentos se desenvolveu e amadureceu entretanto, reclamando a necessidade de criação de programas profissionais, que acreditem a prática clinica, e que complementem o modelo de Boulder.
Propõe-se assim uma diferenciação de graus, surgindo o PsyD (Doctor of Psychology), programa desenvolvido independentemente das Universidades, e cujo foco principal deve ser na prática clinica e menos na investigação. Nascia o psicólogo clínico profissional.



E onde estamos nós, decorridos quase outros 25 anos? Somos investigadores das práticas clínicas, investigadores com competências clinicas, ou cujo trabalho pode ter implicações clinicas? Ou somos clínicos atraídos pela investigação, consumidores de investigação? Investigadores profissionais ou clinicos profissionais?

Acresce que em países de lingua portuguesa basta uma licenciatura para ser tratado por Doutor... ou bastava?

Sem comentários: