2005/07/26

Amadores, mas com talento ....

O amadorismo na prática da psicoterapia e aconselhamento sempre nos incomodou e embaraçou. Abre-se uma clínica ou consultório logo após a licenciatura, sem procurar formação especializada ou pós-graduada, sequer alguma supervisão ou tutela; ou pratica-se clínica em part-time, a par de qualquer actividade que nada tem a ver com a clínica, para equilibrar o orçamento ou realizar uma ambição pessoal.

Pois temos vivido rodeados( ressalvando honrosas e distintas excepções) de exemplos e ilustrações várias deste amadorismo, quer entre psicólogos e outros licenciados em ciências sociais e humanas, quer no seio dos próprios médicos psiquiatras que pretendem saber fazer psicoterapia, e a reduzem a algumas palavras de apoio e incentivo, palmadinhas nas costas e "vai ver que vai melhorar", norteados por leituras ocasionais de modelos psicodinâmicos. Com resultados demasiadas vezes catastróficos, de más práticas e prejuízos tão graves quer para os nossos pacientes e utentes, quer para a imagem e a integração socio-profissional dos que querem ser respeitados como psicoterapeutas ou psicólogos clinicos, e que abordam a profissão com total empenhamento científico e profissional. Porque, caríssimos colegas, e com o devido respeito pela coragem e talento dos ditos: amadores só forcados, que estão lá precisamente para o que der e vier, depois se verá.

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